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Jundiaí inicia parceria em estudo inédito para combater casos graves de Covid-19

O estudo Care, numa parceria com o Hospital Oswaldo Cruz, vai testar pacientes com sintomas gripais


Álvaro Avezum Jr, do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Oswaldo Cruz

A Prefeitura de Jundiaí anunciou nesta quinta-feira (11) um acordo de cooperação técnica entre o município de Jundiaí e o Hospital Alemão Oswaldo Cruz. O objetivo é a realização do Estudo Care (Coalizão VIII), inédito no país, com o uso de um medicamento para prevenção de hospitalização de pacientes ambulatoriais com diagnóstico confirmado de COVID-19.

Dessa forma, caso o medicamento se mostre eficaz, busca-se evitar que pacientes não evoluam para o quadro grave da doença e que se reduza assim o número de internações e letalidade. Os trabalhos têm início na próxima segunda-feira, através dos serviços de atendimento dos pacientes com sintomas gripais (Unidades Sentinelas e Pronto Atendimentos).

A medicação é um anticoagulante oral que será dada para pacientes com mais de 18 anos, com quadro para Covid-19 leve ou moderado, que tenham no mínimo dois fatores de risco para trombose - como diabetes, pressão alta, obesidade, entre outros - e que estejam até no sétimo dia de manifestação dos sintomas. O estudo é coordenado e patrocinado pelo Hospital Oswaldo Cruz em parceria com a empresa Bayer. Não haverá repasse de recursos por parte de Jundiaí.

O estudo está sendo feito pela maior rede de pesquisa da Covid-19 do país, Coalizão Covid-19 Brasil, uma aliança para condução de pesquisas formada por Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), avalia a eficácia e a segurança de potenciais terapias para pacientes com Covid-19.

"Com esse estudo, poderemos responder questões que o Brasil e o mundo fazem e assim mudar a história do curso da Covid-19", declarou o diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Oswaldo Cruz, Álvaro Avezum Jr. "É a primeira vez que nós vamos trabalhar com uma cidade inteira, e que isso seja só o início. Agradeço à cidade de Jundiaí pela oportunidade de fazer esse estudo".

Ao todo, o estudo deverá chegar a aproximadamente 800 pacientes na cidade e mais 200 fora dela, por meio de outras instituições, totalizando mil pacientes. Desse total, os pacientes serão divididos em dois grupos de 500: o grupo "intervenção", que fará o uso da medicação por dez dias, e o grupo "controle", que não fará uso da medicação.

Após ser confirmado com Covid-19, através de teste, o paciente poderá ser selecionado para o estudo. Ele será informado que se trata de um projeto de pesquisa, com riscos e benefícios e, caso aceite participar, seus dados serão inseridos em uma plataforma digital que indicará se ele é ou não eletivo para tomar a medicação. Caso seja, ele terá de assinar um documento e levará para casa um diário para preencher durante o uso do anticoagulante. As equipes de saúde farão um acompanhamento diário desses pacientes, mantendo contato com os mesmos.