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O QUE MATA MAIS?


Na contramão da razoabilidade e do bom senso, continuam a se propagar medidas graves de restrição à economia que gradativamente estão asfixiando o país.

Desproporcional, muito além do razoável, que para combater um vírus que ataca primordialmente idosos, matando aqueles frágeis imunologicamente ou já doentes, isole-se horizontalmente toda a população e quebre-se o país, o que vai matar muito mais gente, pela pobreza extrema, a médio e longo prazo.

A gripe suína e o H1N1 mataram muito mais do que vai matar o Corona vírus, sem que se tenha fechado um mísero boteco. A dengue continua matando endemicamente, sem que se fechem escolas, comércio, clubes ou parques públicos. A malária mata o povo invisível das florestas há séculos e não há maiores preocupações por isso.

Temos quase oito bilhões de habitantes no planeta, pouco mais de 200 milhões no Brasil. Morrem no mundo 159.880 pessoas/dia e nascem 380.717 pessoas/dia, infelizmente inchando o planeta a um ponto intolerável, especialmente em países pobres, ou nos países islâmicos, além da Índia e China. No Brasil nascem 8.054 por dia, contra 4.083 que morrem; infelizmente, a maior parte dos que nascem são pobres e provêm de famílias com baixas perspectivas de ascensão social - e essas serão também as perspectivas desses novos brasileiros.

Por que digo isso, baseado não em palpites mas em números incontroversos? Porque há milênios vírus existem e matam. Matam os frágeis e doentes, fortalecendo a espécie humana e fazendo com que os mais fortes criem imunidades. Matam quem, falando objetivamente, estavam fadados a morrer.  Nem por isso o mundo parou, como a paranoia mundial está fazendo parar.

Sou médico? Não.  Mas estou replicando a opinião de inúmeros infectologistas, entre os quais Osmar Terra, que foi Secretário da Saúde por oito anos e que tem lembrado que 99 por cento dos que contraírem o vírus permanecerão assintomáticos e, desde então, mais fortes.

A paranoia e o pânico têm sido disseminados por parte da grande mídia, interessada em recuperar o protagonismo perdido e em derrubar o atual governo, por motivos ideológicos e financeiros (principalmente). Tem sido alardeados por políticos oportunistas e carreiristas, como Dória em São Paulo e Maia no Congresso, para posarem de heróis e sedimentarem candidaturas futuras (embora Dória já esteja conclamando as indústrias "a não pararem "; para entregar o quê em que lugar?).

Também estados de emergência e de calamidade pública são interessantes para políticos corruptos (nem todos o são, obviamente), pois podem contratar livremente, sem licitações ou concorrências, superfaturando quanto quiserem e comprando dos amigos e apaniguados.

Muito mais pode ser dito, mas sintetizo dizendo que a miséria vai matar muito mais. Miséria que em um país frágil como o Brasil levará muitos anos para se abrandar, ao contrário de países bem estruturados e economicamente mais robustos, como vários da Europa, Estados Unidos e China.

A situação é grave? Claro que é.  É só uma gripezinha? Claro que não.  Mas justifica o que vem sendo feito, na proporção apocalíptica de um Armagedom iminente? Não, não justifica. A solução (que não é minha, mas de inúmeros cientistas e associações médicas)? Faça-se o lockdown vertical, isto é, isolemos nossos velhos, e deixem o país livre para que todos os demais vivam e produzam. Não disseminem pânico ou a paranoia de um juízo final, que não virá com mais uma dentre tantas pragas que já assolaram e assolam a humanidade de tempos em tempos. Não matem o Brasil. O remédio torna-se veneno na dosagem errada. Bora viver!

Cláudio Levada. 62 anos, jundiaiense, grupo de risco. Tomou vacina mas recusa-se a acreditar no fim dos tempos.