Pelo Brasil

Dependência econômica e fé se misturam em Abadiânia

Prefeito está preocupado com possíveis prejuízos econômicos


Além de dividir opiniões, o escândalo em torno das acusações de crimes sexuais supostamente cometidos pelo médium goiano João Teixeira de Faria, o João de Deus, destaca, mais uma vez, as peculiaridades de Abadiânia (GO). É no pequeno município de aproximadamente 12 mil habitantes, a cerca de 110 quilômetros de Brasília e à mesma distância de Goiânia, que o médium de 76 anos fundou, em 1976, a Casa Dom Inácio de Loyola.

Ao longo de 42 anos realizando consultas e aconselhamento espiritual, além das chamadas cirurgias espirituais, João de Deus se tornou famoso nacional e internacionalmente. Movidos pela fé ou pela curiosidade, personalidades artísticas e políticas como as apresentadoras Xuxa Meneghel e Oprah Winfrey; a ex-presidenta Dilma Rousseff e o presidente Michel Temer; a modelo Naomi Campbell; a atriz Shirley MacLaine, entre outras celebridades já estiveram em Abadiânia. O que elevou o prestígio de João de Deus e transformou a Casa Dom Inácio de Loyola no principal polo atrativo da cidade, gerador de empregos diretos e indiretos em um município com poucas alternativas econômicas.

"É fato que ele [João de Deus] é responsável pela geração de aproximadamente 1.2 mil vagas de trabalho no município", reconhece o prefeito José Diniz (PSD) ao declarar que as denúncias trazidas a público primeiramente pelo programa Conversa com Bial, da Rede Globo, e, depois, pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), chocaram a cidade. "Ficamos todos muito preocupados com a notícia", continuou o prefeito, referindo-se aos potenciais prejuízos econômicos que a ameaça do MP estadual pode trazer à cidade caso se concretize. Ontem, promotores da força-tarefa criada pelo MP goiano para apurar as suspeitas afirmaram que, diante da dificuldade de obtenção de provas, em tese, denúncias apresentadas por várias mulheres podem levar à condenação de acusados por crimes sexuais.

"Ainda é cedo para falarmos sobre se já houve impactos econômicos na cidade, pois os atendimentos acontecem de quarta a sexta-feira e muita gente começa a chegar na quarta. Já quanto às denúncias, não há muito o que dizer. Quem tem que cuidar delas é a Justiça e, pelo que eu vi, disso o Ministério Público já está cuidando muito bem", acrescentou o prefeito.

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