Economia

JOVENS ADULTOS


       São três, dois ex garotos e uma ex garota. Não muito tempo atrás, ainda flertavam com a adolescência e ainda decidiam os rumos a seguir. Isso acabou.

       Agora casaram. Agora têm filhos. Mudaram os interesses, as preocupações, as perspectivas futuras. Tudo inclui a família, aquele ente estranho que tanto criticaram - como toda criança e todo adolescente o faz - e que agora integram, cada qual com seus planos, esforços, dúvidas e dívidas, caminhos de partidas e chegadas.

        As responsabilidades são outras. Os braços e ombros ainda são jovens, as pernas e os cérebros são ágeis, os reflexos e a inteligência estão no auge. A coluna e os joelhos não doem nem há esforço físico ou distâncias que pareçam intransponíveis.

       Mas os trinta anos já chegaram e já passaram, o mais novo um pouco só, a menina moça (a balzaquiana aos trinta ficou há muito para trás) mais um pouco, o mais velho já caminha célere para os quarenta. É hora de dar à vida intensidade máxima, para não haver arrependimentos futuros, para não se chegar à idade do adulto maduro com a sensação do tempo perdido, da juventude perdida, da vida que poderia ter sido e não foi.

       Logo terão as cobranças de seus filhos, viverão seus desejos e planos como se fossem um só. Sofrerão por saber que eles sofrerão, porque a vida não interrompe jamais seu curso natural, seu fluxo de movimentos que traz consigo alegrias e tristezas, amores e decepções, rancores e ternuras, castigos, prêmios, angústias e vitórias. Merecimentos e injustiças, as mesmas que logo ontem, naquela esquina em que se encontravam os amigos e amigas, viveram quase sem perceber.

       O pai, que está mais longe no caminho, com acúmulo maior de erros e quem dirá alguns acertos, a mãe que torce todo o tempo para que as pedras não existam ou para que tenham aprendido a desviar-se delas, assistem ao longe o porvir, os netos que crescem, as atribulações cotidianas, as vitórias e derrotas inevitáveis.  Mas são fortes, sabem; prepararam-se para o que viria e sabem que ao olhar para trás não há paisagem alguma, só experiências e brumas.

       Os passos são seguros, mas a estrada tem retas e curvas. É preciso saber acelerar, Filipe, Fábio, Liliana, e seus cúmplices de vida, Ana Paula, Marina, Mário, e é preciso saber mudar as marchas e frenar, para que todos se fortaleçam e fortaleçam seus filhos, Antonio, Catarina, Marinho, Romeu, Vicente e quem mais vier. Que a lei da impermanência os estimule a não parar, a não arrefecer, a não desistir, a não se dar nunca por vencidos; possuem a têmpera, o brio, a sede da vida, a fome do mundo que os espera, desafia, rejeita e abraça. Beijem-no como quem não quer nada; vivam como sabendo todas as respostas, mas mudando sempre as perguntas que o tempo trouxe, traz e trará.


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